










Em meio ao cenário urbano de Balneário Camboriú, onde os arranha-céus moldam a paisagem, uma pequena capela chama atenção pela simplicidade e resistência. A Capela da Paz, escondida entre os prédios altos, segue firme como um símbolo da história e da espiritualidade local.
Hoje, ela parece minúscula diante dos edifícios que a cercam. Localizada discretamente na Rua 2300, a igrejinha surpreende quem passa por ali, preservando um ambiente de tranquilidade em meio ao concreto.
A construção da capela remonta ao fim da década de 1950, quando Berty Jensen, recém-chegada de Curitiba, percebeu a ausência de um espaço religioso para a comunidade luterana da cidade. Por um tempo, os cultos aconteciam em sua própria casa, até que o número de participantes cresceu, exigindo um local adequado.
Mobilizando moradores e empresas locais, Berty conseguiu levantar a pequena igreja em apenas sete semanas. O pedreiro Paulo Tesch foi o responsável pela obra, e a inauguração aconteceu em 22 de janeiro de 1961. Com capacidade para cerca de 40 pessoas, a capela surgiu cercada por casas de madeira, num tempo em que Balneário Camboriú ainda era pacata.
Nos anos 1990, o terreno foi vendido para a construtora Ciaplan, que pretendia construir um edifício no local. Porém, a capela havia sido tombada como patrimônio histórico em 1998, impedindo sua demolição. A solução encontrada foi integrá-la ao projeto do prédio: a Capela da Paz seria mantida na base do edifício, preservando sua história e adaptando-se ao novo contexto urbano.
Em 2012, o espaço foi restaurado. A fachada original foi mantida, enquanto o interior passou por adaptações, incluindo a instalação de um sacrário, tradicional em igrejas católicas. Desde então, a capela pertence ao condomínio, sendo utilizada para eventos e celebrações religiosas, com missas semanais.
Com cerca de 8,8 metros de comprimento por 6 metros de largura, o templo ainda abriga uma cruz esculpida em madeira nobre, assinada pelo artista Alvino Ziebarth, de São Bento do Sul — uma relíquia dos tempos em que a capela era luterana.
Hoje, a Capela da Paz é aberta ao público durante a semana, das 13h30 às 18h, e permanece como um lembrete silencioso de que, mesmo em meio ao progresso, há histórias e fé que não podem ser apagadas.





























